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Ao longo da história, é recorrente a necessidade do homem, principalmente dos grandes homens, aqueles que decidem, buscarem aconselhamentos em seus processos de tomada de decisões. No passado era comum a busca pelos “oráculos”, aqueles que aconselhavam de forma enigmática, às questões que lhes eram colocadas. Dentre eles, o mais famoso foi o Oráculo de Delfos, cidade grega escolhido por Zeus como o centro do mundo. Em uma resposta lendária narrada por Heródoto em seu livro VII de sua grande obra “Histórias” que o oráculo assim respondeu ao grande general ateniense Temístocle diante de suas dúvidas perante uma guerra iminente:

“Ó infelizes, por que permaneceis ainda sentados? Fugi daqui.

Para os confins da Terra e para longe das alturas da cidade circular.

Pois não permanece a cabeça nem o corpo.

Nem embaixo os pés nem mãos ou partes médias,

Mas irão juntos, pois o fogo os devorará e Ares bravio, condutor do carro sírio.

Também outras fortalezas ele destruirá, não apenas a tua;

Ao fogo ardente oferecerá numerosos templos dos deuses,

Daqueles deuses que hoje ainda permanecem e gotejam o suor

E se empalidecem de pavor; pois alto, das cumeeiras dos templos

Escorre sangue escuro, sinal da desgraça ameaçadora.

Portanto, abandonai as câmaras sagradas e tende coragem na infelicidade.

Apesar dos indicativos negativos como resposta a questão lançada pelo general, a imprecisão e os enigmas contidos na resposta do oráculo, destoam totalmente da enorme precisão fornecida nos dias atuais pelo grande oráculo das grandes corporações contemporâneas. Capaz de traçar perfis, anteceder tendências, segundo o analista de dados Seth Stephens-Davidowitz, ex-colaborador do Google, o Big Data pode nos ajudar de maneira ímpar a realizar uma das sugestões do oráculo de Delfos: “conhecer a nós mesmos”.

Nas últimas décadas, temos assistido ao constante anúncio de resultados diversos de pesquisas, novamente aquelas de intenções de votos em períodos eleitorais, mas também, inúmeras pesquisas de comportamento humano. Todas estas pesquisas custam muito dinheiro e contribuem com as tomadas de decisões. O problema com os métodos tradicionais de pesquisas, é que eles se baseiam principalmente na mecânica de entrevista dos pesquisados. Em seu livro, Everybody Lies: Big Data, New Data, and What the Internet Can Tell Us About Who We Really Are (“Todo mundo mente: Big Data, novos dados e o que a internet pode nos dizer sobre quem nós realmente somos”, numa tradução livre), o autor discorre sobre este tema, e provoca um novo olhar para as pesquisas modernas, estas não mais levam em consideração a entrevista dos pesquisados, e sim, descortina o comportamento dos entrevistados a partir das suas ações sob o falso manto de proteção do universo cada vez mais digitalizado dos pesquisados. Se nas entrevistas os pesquisados tendem a mentir no intuito de se protegerem ou projetarem imagens fictícias sobre si próprios, em suas buscas, compras e ou consumo de conteúdo, o cruzamento de informações baseadas em Big Data revela o real perfil comportamental dos seres humanos em relação aos mais distintos temas, sejam eles de ordem sexual para aferição da venda de preservativos, até mesmo a intenção de votos dos pesquisados.

Os gigantes do mundo financeiro, as grandes empresas de alimentos, as grandes cadeias de varejo e os governos dos países desenvolvidos, todos eles hoje definem como rentabilizar mais os seus negócios ou nutrir de informações os cidadãos, e compreender suas necessidades e suas demandas a partir das suas compras em cartão de crédito, dos trajetos realizados em suas viagens de Uber, das músicas ouvidas, das buscas realizadas, do seu ciclo de amizade, da sua geolocalização, do seu check in no Facebook. Tudo o tempo todo é monitorado e alimenta o grande big brother global, o Big Data.

Não obstante, a profissão mais sedutora do momento e que já gera grande atratividade para novos profissionais e profissionais que buscam se reposicionar no mercado de trabalho, é o Cientista de Dados, o Estatístico do Futuro. Pessoas capazes de compilar, interpretar e transformar dados em informações preponderantes para o processo de tomada de decisões. Softwares robôs também são fundamentais na captação e interpretação dessas informações.

Em convergência com esta nova realidade que envolve o processo de tomada de decisões, está a neurociência, complementar ao processo de análise de dados, identificando, mensurando e dimensionando em quadrantes as reações comportamentais humanas em situações, exposições e demandas de públicos específicos ou genéricos.

Neste novo cenário não mais futurístico e sim atual, surge nas grandes e médias organizações a figura do CDO – Chief Data Officer – com o propósito amplo de gerir custo, implementar qualidade e desenvolver novos produtos e serviços além de promover melhorias e inovações naqueles já existentes. Tudo isso a partir de dados, coletados, compilados e interpretados. No relatório da Harvard Business School “FROM DATA TO ACTION” (download grátis no link https://goo.gl/gtm8SP) trás um preciso passo-a-passo desde a constatação de um simples dado até sua transformação em informação que promove as organizações a condição de Smart Brand.

As marcas estão mudando, ou sendo mudadas. As organizações estão mudando, ou sendo mudadas. Os profissionais estão mudando, ou sendo mudados. Compreender o entorno, compreender as demandas e necessidades, criar demandas e criar necessidades são desafios que não podem mais ser solucionados a partir de enigmáticas respostas de oráculos ou achismos. As respostas estão na precisão da análise ostensiva de dados. E neste mesmo momento de mudanças, muito conversei com diversos executivos americanos, como por exemplo com um executivo do JP Morgan, Juan Martinez, que cuida da área de investimentos em novos negócios para a América Latina, onde acredito que é imprescindível para as organizações modernas, a mutação de suas estruturas verticais rígidas, para um novo modelo matricial e fluido. Neste modelo a adaptabilidade às necessidades e demandas de mercado, geram mais agilidade, maior eficiência e maior engajamento com o mercado e seus distintos públicos.

A Google é matricial e fluida. A Newbalance é matricial e fluida. A Apple é matricial e fluida. A Netflix é matricial e fluida. A Uber é matricial e fluida. Empresas tradicionais como a Coca-Cola, Nike e McDonald’s ainda não conseguiram dar este passo adiante e continuam sendo verticais e rígidas. Por seu tamanho, por seu DNA e por seu modelo de gestão, não conseguem a fluidez que o mercado exige. Por quanto tempo serão assim? A resposta vale alguns bilhões de dólares.

Portanto, aos empreendedores de plantão, não dá mais para intuir apenas. Ou você é um grande gênio anônimo da humanidade, ou você irá precisar se adaptar ou mergulhar no universo infinito, fluido e exponencialmente expansível do Big Data repleto de “zeros e uns” que podem se transformar em bilhões de dólares, ou se preferir, pode vagar inercialmente no espaço sideral, e muito provavelmente ter sua energia sugada pelos buracos negros do mercado.

Jackson Carvalho

CEO and Co-Founder – Intertotal – Inovação e Negócios

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